Eu sempre fui obrigada a dizer obrigado.



Nunca vi necessidade de agradecer tudo, até o dia em que minha mãe disse que era necessário se dizer “obrigado”, aliás, ela não disse, ela obrigou:

– Guria, pede obrigado ou em casa nós conversamos. (Sussurrando)

Eu também era obrigada a conversar com ela em casa. Eram conversas difíceis, eu saia roxa e ela vermelha.

Com tempo indo, me vi obrigada a fazer outras “obrigações”:
A sorrir para não ser antipática.
A abraçar para não ser frígida. 
A beijar para gostar.
A transar para sentir tesão (ou parecer que sinto)
As vezes me obrigo a abrigar. 
Eu me sinto oprimida, agradeça, ou não será admitida. 
Mas olha:
Não
Nasci
Para
Ser
Contida.

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